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Desfralde com amor

É com muita alegria que partilho com vocês a minha vitória. Depois de um mês tentando, consegui fazer o desfralde da minha filha. Confesso que é um processo que demanda muita paciência, porque às vezes é estressante, mas, por fim, muito gratificante.

Como saber o momento certo? Não sei. O que sei é que minha filha está com 03 anos e dois meses e eu estava preocupada, uma vez que este ano (2023) ela irá pela primeira vez a escola. Fiquei apreensiva, pois, não queria que minha filha iniciasse as aulas sendo a única criança usando fralda. Além disso, acredito que cada fase requer novas aprendizagens e diversos desafios. Sendo assim, senti que já estava na hora, cheguei a pensar que esperei muito. Contudo, quando começamos o desfralde, tive a certeza de ter escolhido o momento certo, visto que percebi minha filha mais madura. 

Compra do troninho

Obvio que se faremos um desfralde o troninho é fundamental, aqui, temos o troninho em forma de ursinho e o assento redutor. O troninho é maravilhoso porque a criança se sente mais segura, pelo menos minha filha se sente segura, já que seus pezinhos tocam no chão. Assim, senta sem medo de cair. Quanto às calcinhas logo no início ela não deu importância, porém, comprei com desenhos de arco - ires, unicórnio e florzinhas que só foram valorizadas quando conseguimos o desfralde. 

Escolha o mês

É importante que seja um período o qual você possa dar mais atenção a criança. Escolhi o mês de janeiro, porque é o período que estou de férias. Logo, passaria mais tempo com minha pequena. 

Diálogo

No dia 01 de janeiro logo que acordamos, já no memento da troca de fralda, sugeri o uso da calcinha no lugar da fralda.  Obvio que a proposta não foi aceita. Utilizei argumentos do tipo: “os dias estão quentes, daí é melhor fica de calcinha porque fica mais fresco”; “as calcinhas são mais confortáveis”; “mamãe usa calcinha” e; por aí vai. Nada desses argumentos funcionaram. Mas com o passar do tempo percebi que conversar com ela foi extremamente importante. Mesmo sem ouvir respostas ou gestos que confirmassem se estava ou não entendendo.   Só percebi que ela me ouvia e me entendia, quando passou a imitar um bebezinho, a forçar choro, a solicitar mamadeiras, entre outros comportamentos. Aí senti o quanto o dialogo era fundamental, passei a conversar com ela que ao trocar a fralda pela calcinha ela não deixaria de ser criança. Comecei a entender que ela, diferente de outras crianças que se afirmam ser mais velhas, adotou a postura de não querer deixar de ser bebê. E essas conversas (ou monólogos) foram deixando minha pequena mais confiante.  

Acolhimento

Lembro que certo dia, perguntei se ela queria fazer xixi, ela disse que não, mas, em segundos tinha feito xixi no tapete. Fiquei chateada e ao invés de abraçar e dizer que isso acontece, fiquei visivelmente irritada. Depois desse dia, comecei a observar que é normal ela esquecer que está sem fralda, principalmente quando está brincando. Portanto, sempre que isso acontecia dizia para ela que era normal, que ela ainda está aprendendo e que com a mamãe acontecia á mesma coisa. Assim, ela se sentia acolhida. 

Alegria

Todas as tentativas são válidas. Nem sempre conseguiremos de primeira. Mas, cada tentativa deve ser um momento de alegria. Eu expressava muita alegria. E repetia diariamente o quanto estava orgulhosa. E ela me respondia sempre com sorrisos. Passou a informar aos pulos de alegria que estava sentindo vontade de ir ao troninho. 

Presente

Não sei se é o correto. Mas, prometi um presente caso ela conseguisse fazer xixi no troninho. A primeira vez que conseguiu me cobrou logo o presente. Conversei que daria sim o presente, porém não podia comprar naquele momento. Comprei uma semana depois. Não prometi mais nada e ela também não pediu nada. O que sei é que o brinquedo/presente funcionou aqui em casa como um incentivo. 

Lúdico

Objetivando trazer leveza para esses momentos, recrutei a Lilica para fazer parte desse processo. A Lilica é a ursa da minha filha, que igual á amiguinha também teve que passar pelo processo de desfralde. Por conseguinte, coloquei também calcinha na Lilica que nos primeiros dias acompanhava minha filha ao troninho. 

Persistir

Uma coisa de cada vez. Deixar de fazer xixi na fralda é mais fácil que deixar de fazer cocô. Por isso, o importante é não desistir. Consegui facilmente que aprendesse a fazer xixi no Toninho. Porém, a resistência para fazer o cocô no troninho é maior. Aqui em casa foi mais difícil porque minha pequena fazer cocô em pé. Então, essa etapa demanda mais insistência. 

Paciência e amor

Por fim, com paciência e amor os resultados são recompensadores. Essa aprendizagem geram momentos e vínculos valiosos entre pais e filhos. Além de contribuir para a autonomia da criança. Por isso, não desistam, é cansativo, mas é necessário e deve acontecer com muito amor.

Escrito por:  

Manuela Gil

(Professora e psicopedagoga.)

Graduada em Letras Vernáculas com língua estrangeira moderna (UFBA)

Especialista em Educação Inclusiva e Psicopedagogia.

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